O roteiro a seguir foi escrito sob encomenda de um grupo de estudantes de uma faculdade de rádio & tv de uma faculdade de São Paulo.
O roteiro é sobre decisões difíceis para conseguir a felicidade e fugas que podemos escolher para não enxergamos o que queremos.
O roteiro retrata um homem relativamente jovem desanimado com sua vida que começa a ter enxaquecas e também experiências boas que podem enfim lhe trazer o ânimo que ele precisa para viver bem.
A BAILARINA
Escrito por Luis E. Ribeiro
INT. ESCRITÓRIO DE FELIPE - TARDE
FELIPE, um homem aparentando 30 anos de idade, trabalha em sua baia. Na tela do computrador dele vemos planilhas, relatórios, gráficos. Ele está com cabeça apoiada em seu braço e com um olhar de tédio.
Os créditos do filme aparecem na tela do computador como se FELIPE os digitasse.
Ao fim dos créditos, MARCELO, da mesma faixa de idade de Felipe, aparece em sua baia, de surpresa. Ele demonstra empolgação em seu sorriso.
MARCELO
Deu o horário já. Vamos.
FELIPE se levanta lentamente e vai arrumando suas coisas.
MARCELO
Vamos! Vamos!
MARCELO pega as coisas de Felipe na mesa e SAI.
FELIPE olha com certa reprovação.
INT. CASA DE MARCELO - NOITE
FELIPE e MARCELO estão ao redor de uma mesa com mais DOIS AMIGOS. Eles estão jogando baralho (Poker/Truco). Todos exceto FELIPE demonstram empolgação e entusiasmo.
(Diálogo improvisado curto relacionado ao jogo de baralho)
FELIPE perde uma rodada e faz cara de dor.
MARCELO
Que foi Felipão? Num guenta bebe leite! Heheh.
FELIPE
Cara não é isso. Dor de cabeça. Vou tomar um ar. Já volto.
FELIPE vai até a varanda do apartamento. Felipe respira fundo.
POV de FELIPE:
EXT. RUA DO APARTAMENTO DE FELIPE - NOITE
A rua tem pouco movimento por ser noite. Uns quatro carros passando e dois ou três pedestres. O olhar vai para a esquina. Muito rapidamente uma BAILARINA vira a esquina e sai do campo de visão.
DE VOLTA À CENA PRINCIPAL
FELIPE faz uma cara de estranhamento e alguns instantes depois a dor dá uma pontada. Logo depois, ele se sente melhor.
MARCELO (OFF SCREEN) Vai jogar essa Felipão?
FELIPE
Vou. Coloca as cartas para mim.
FELIPE volta para a mesa.
EXT. FRENTE DO APARTAMENTO DE FELIPE - NOITE
Felipe cumprimenta o porteiro meio cambaleando e adentra seu prédio.
IN. LOBBY DO PRÉDIO DO APARTAMENTO DE FELIPE - NOITE
Felipe sobe alguns degraus e, já fora do campo de visão do porteiro, cai de joelhos no chão.
ÁUDIO: FREQÜÊNCIA AGUDA LEMBRANDO A NOTA MAIS ALTA DE UM VIOLINO
Ele se esforça muito para conseguir chegar até a porta do elevador. Ele estica o braço para segurar a maçaneta e quando está prestes a cair uma MÃO COM LUVA BRANCA surge e segura sua mão.
BAILARINA (OFF SCREEN)
Você precisa de ajuda? Você está se sentindo bem?
FELIPE
Estou bem, estou bem. É só uma dor de cabeça.
FELIPE cai.
POV DE FELIPE: A Bailarina aparenta ter 20 e poucos anos e veste a parte de baixo rosa e de cima branca de seu vestido de dançar.
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FELIPE |
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(com |
dificuldade para falar) |
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Você mora |
neste prédio? Eu acho |
ai |
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que já te |
vi antes |
ahhh |
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BAILARINA |
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Vem. Vem. Eu te ajudo. |
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A mão dela puxa ele |
muito suavemente. |
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INT. ELEVADOR DO PRÉDIO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
FELIPE está desacordado nos ombros da bailarina. O elevador está parado e a porta do elevador está aberta.
FELIPE estica o braço, desajeitado e aperta um número no painel do elevador.
INT. HALL DO APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
FELIPE não consegue enfiar a chave no buraco da porta. A mão da bailarina segura a sua mão e o ajuda.
INT. COZINHA DO APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
FELIPE pega uma cartela de um analgésico comum, tira um e toma.
FADE PARA:
INT. ESCRITÓRIO DE FELIPE - DIA
FELIPE está em sua baia com o olhar um pouco apertado, demonstrando estar incomodado com uma certa dor.
MARCELO aparece de surpresa.
MARCELO
Ficou devendo ontem. Jogou nada!
FELIPE
Foi a dor.
MARCELO
Dor, sei..
FELIPE
Tá foda.
MARCELO
Não tinha passado?
FELIPE
Voltou. Quase que passo a noite na garagem.
MARCELO
Garagem?
FELIPE
Sei lá. Uma moça me ajudou.
MARCELO
(fazendo graça e cutucando Felipe) Hmmmm... ah... uma moça ajudou....
FELIPE
Não consigo lembrar direito agora.
MARCELO
Semana que vem cê vai de novo jogar com a gente, não?
FELIPE
Sim... sim. Agora vai para lá.
MARCELO sai.
FELIPE pega uma cartela do mesmo analgésico comum da outra ocasião. Tira um da cartela.
FELIPE faz uma careta de dor.
FELIPE tira mais um da cartela e engole os dois de uma vez, tomando um gole da garrafinha de água que há em sua baia.
POV DE FELIPE: A cabeça se move fazendo o movimento de engolir e depois se vira para o relógio grande de parede no escritório.
INSERT: CLOSE DO RELÓGIO. São duas e meia da tarde.
FELIPE SUSPIRA
EXT. PRÓXIMIDADES DO TRABALHO DE FELIPE - FIM DE TARDE/NOITE
FELIPE tem o olhar pesado, demosntrando dor e estresse. Ele caminha sem olhar bem para onde pisa tromba com muitos pedestres. Um TRANSEUNTE se irrita e tira satisfações.
TRANSEUNTE Olha por onde anda, maluco!
FELIPE
Vai se catar, imbecil.
O TRANSEUNTE parte para cima de FELIPE e o empurra forte.
FELIPE cai no chão e leva a mão na cabeça. Ele sente a dor de cabeça no chão.
Ele fica um pouco nessa posição e um certo tempo depois começa a ajeitar a roupa. As pessoas ao redor nem se imprortam com ele caído.
Quando ele começa a se levantar, ele vê a BAILARINA caída sentada à sua frente. Ele faz uma cara de espanto e consternação.
FELIPE
Eu te atingi! Nem percebi, me desculpe! Você está bem?! Me deculpe, de verdade!
BAILARINA
Você nem chegou perto.
A BAILARINA se levanta e arruma seu vestido.
FELIPE
Venha venha. Você me ajudou ontem. Hoje, eu lhe acompanho, o que você precisar, para onde quiser.
A BAILARINA sorri. Ela começa a caminhar e ele o acompanha a seu lado.
FELIPE
Ontem... Me desculpe por ontem. Eu estava-
BAILARINA
Não tem do que se desculpar. Você faria o mesmo por mim, não?
FELIPE
Não é isso... eu desmaiei depois. Nem agradeci.
BAILARINA
A gratidão está implícita. (olha ao redor) Para onde você estava indo?
FELIPE
Para casa... Acho.
BAILARINA
Como assim "acho"?
FELIPE
Não sei se você sente isso também, mas quando estamos a caminho de algum lugar, muitas possbilidades de desviar o caminho surgem.
Você passa por uma padaria que tem uma pão recheado que você adora, passa pela casa de um amigo que não visita há tempos, passa pelo teatro do espetáculo que está tentando ver faz semanas. Mas como você tem um destino, um objetivo, você segue caminhando até chegar onde tem que chegar. Não entra nesses lugares.
(faz uma breve pausa, pensativo)
Para onde estamos indo?
BAILARINA
(empolgada)
Eu já sei. Hoje você não vai ter destino, então. Você vai ter que parar nesses lugares.
FELIPE
Mas você não tem horário, coisa assim?
BAILARINA
Tenho os meus destinos também-
FELIPE
Então...
BAILARINA
-Mas tenho que parar também.
FELIPE
Onde vamos parar?
BAILARINA
Onde VOCÊ vai parar...
FELIPE
Eu não sei.
BAILARINA
Pensa assim, se hoje fosse seu último dia, você teria que fazer tudo o que deseja, não? O que você QUER fazer?
FELIPE
Não sei.
FELIPE olha ao seu redor.
FELIPE (CONT.) (sem muita convicção)
Ali tem um concerto hoje.
BAILARINA
(empolgada)
Você quer?
FELIPE
Sim.... na verdade... muito.
BAILARINA
Então vamos entrar.
FADE OUT
INT. CASA DE MARCELO - NOITE
MARCELO, FELIPE e os DOIS AMIGOS estão reunidos jogando cartas novamente. Estão todos muito animados inclusive FELIPE.
FELIPE
E tem umas outras coincidências muito incríveis.
MARCELO
Tirando a bizarrice de que você encontra ela sempre com a roupa do balé?
Todos RIEM. FELIPE fica um pouco sem graça.
AMIGO 1
Você perguntou porque ela está sempre com essa roupa?
FELIPE
Sim.
AMIGO 2
E aí?
FELIPE
Ela deu a melhor resposta possível.
Os AMIGOS se entreolham. FELIPE calmamente joga ou pega uma carta na mesa.
FELIPE
Ela disse: "Isso realmente importa?"
Os AMIGOS RIEM.
FELIPE fica um pouco cabisbaixo.
Os AMIGOS continuam RINDO ALTO.
MARCELO
Se isso é um traço de "psicopatia" dela e ela costuma matar pessoas vestida de bailarina, realmente a roupa é o de menos na questão.
Os AMIGOS RIEM MAIS ALTO AINDA. FELIPE demonstra um certo desconforto e leva a mão a cabeça.
FELIPE busca a bolsa e pega uma cartela dos analgésicos. Sem que os amigos vejam, ele tira 4 comprimidos e toma todos de uma vez, junto com o resto de sua cerveja. MARCELO apenas percebe que ele tomou remédio.
MARCELO
A cabeça de novo?
FELIPE
Mais ou menos.
MARCELO
Não tinha passado?
FELIPE
Mais ou menos. Vamos outra rodada logo.
MARCELO
Você precisa ver isso, você não está conseguindo produzir nada no trabalho. Fica esperto.
FELIPE
(sorridente)
Não se preocupe. Enquanto houver amor, nada me faltará.
MARCELO
(fala mais perto do ouvido dele, mais baixo)
Eu estou falando sério. Eu acho que estão pensando em te cortar. Você anda meio desligado.
INT. ELEVADOR DO PRÉDIO DE FELIPE - HORAS DEPOIS
Felipe está sentindo muita dor na cabeça. Abre a bolsa e vê muitas cartelas de analgésicos. Todas vazias.
INT. HALL DO APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
Felipe mal consegue segurar a chave de seu apartamento e coloca na fechadura com muita dificuldade. Ao fazer a força para girá-la ele GEME FORTE de dor.
INSERT: CLOSE DA FECHADURA
A MÃO COM LUVA BRANCA DA BAILARINA APARECE para ajudá-lo.
FADE PARA:
INT. APARTAMENTO DE FELIPE - MANHÃ
POV DE FELIPE: Entrando em foco, como se ele estivesse abrindo os olhos pela primeira vez no dia, está a BAILARINA de ponta cabeça.
FELIPE está deitado no chão da entradinha de seu apartamento, a porta do apartamento está aberta e o hall está relativamente visível.
BAILARINA
Vim passar o dia com você.
FELIPE abre um sorriso grande.
INT. APARTAMENTO DE FELIPE - POUCO DEPOIS
FELIPE está mais arrumado sentado à poltrona. A BAILARINA está a seu lado. Ela olha para o filme e olha para ele.
FELIPE está muito sorridente.
FELIPE
(sorrindo)
Olha essa parte. É a melhor.
Os dois RIEM. Ela olha para ele.
FELIPE
(ainda rindo)
Não não. Olha lá. Essa é a melhor.
Os dois RIEM.
A BAILARINA levanta e dá uns pequenos passos de dança. Ele olha muito sorridente para ela.
FELIPE
(empolgado) Espera. Eu tive uma idéia.
FELIPE sai e volta com um case de violino. Ele abre e retira o violino.
BAILARINA
Eu adoro violino.
FELIPE começa a tocar.
A BAILARINA dança.
Após um certo tempo da dança e da música o violino chega a uma nota bem aguda.
ÁUDIO: A NOTA AGUDA DO VIOLINO SE ESTENDE E FUNDE-SE COM UM SOM DE MÁQUINA DE BATIMENTOS CARDÍACOS QUE DETECTOU QUE UM CORAÇÃO PAROU DE BATER.
A imagem da bailarina dançando se distorce.
FADE OUT
INT. QUARTO DE FELIPE - MANHÃ
FELIPE está deitado na cama do quarto de sua casa. Ele está com a barba maior do que normalmente (uns 3 dias sem ter feito). A MÃE DE FELIPE está próxima da cama. FELIPE acorda.
FELIPE
Mãe... Mãe... Mãe?
A MÃE DE FELIPE se levante e aproxima da cama.
MÃE DE FELIPE
Felipe, meu filho. Como está se sentindo?
FELIPE
O que aconteceu? Por que você esta aqui-
FELIPE começa a se levantar na cama. Ao fazer isso sente uma pontada forte de dor na cabeça. Ele GEME ALTO de dor.
FELIPE
.... E a bailarina? Ela está com você?
Após essa frase brotam lágrimas nos olhos da MÃE DO FELIPE. Ela passa a mão na cabeça dele.
Um MÉDICO ENTRA. Ele traz uma pasta cheia de exames e uma prancheta com alguns papéis.
MÉDICO
Olá Felipe.
FELIPE
Doutor Ricardo? O que houve? (para a mãe)
O que está acontecendo? (para o Médico)
Por que o senhor está aqui?
FELIPE fica inquieto se mexendo e sente a dor na cabeça novamente.
FELIPE (CONT.) O que aconteceu comigo?
MÉDICO
Então Felipe, tenho notícias não tão agradáveis a lhe dar. Mas já saiba de antemão que todo o tratamento já está encaminhado e que a cura é algo com altíssima probabilidade.
FELIPE
Fale logo!
Felipe está com cara de dor e com a mão na cabeça.
O Médico pega em seus papéis alguns exames e mostra a FELIPE. Felipe olha sem entender o que os papéis querem dizer. O Médico sente dificuldade para falar se distancia e fica de costas para Felipe.
MÉDICO
Está dor que você está sentindo na cabeça é um tumor.
FELIPE
(surpreso) O que?!?
MÉDICO
Sua mãe me chamou e eu, conhecendo você há tanto tempo, supervisionei todos os exames. Já marquei com um neuro muito bom, muito próximo a mim e já agendamos a cirurgia para removê-lo daqui a duas semana. Nesse meio tempo, você vai tomando um remédio que vai diminuir o tumor e aliviar sua dor.
O Médico pega uma prancheta com papéis.
MÉDICO (CONT.)
Já resolvi tudo pelo seu convênio. Um motoboy vai entregar os remédios aqui sempre que precisar.
O Médico entrega um papel para FELIPE assinar.
MÉDICO (CONT.) Assine aqui.
FADE PARA:
INT. APARTAMENTO DE FELIPE - HORAS MAIS TARDE
FELIPE está ao telefone, de pijama.
FELIPE
Amanhã mesmo eu já volto praí pro escritório. (...)
(rindo)
Não não... hoje não vou para o baralho. Não rola, tou meio grogue ainda. Para apanhar de vocês não vale a pena sair de casa ainda.
A CAMPAINHA TOCA. O som dela irrita um pouco Felipe que volta sentir uma certa dor.
FELIPE
Tenho que desligar. Depois você me conta melhor. Abraço.
Felipe vai até a porta e a abre.
INT. HALL DO APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
Felipe avista o PORTEIRO com um saquinho na mão e atrás dele a BAILARINA.
PORTEIRO
O motoboy pediu para você assinar isso.
FELIPE está sorridente. Ele pega o saco primeiro e vê que são os remédios. Então ele pega a prancheta do porteiro e começa a assinar. Olhando para a prancheta ele começa a falar com a bailarina.
FELIPE
Você sumiu. Fiquei preocupado.
PORTEIRO
Não, sabe o que foi, deu uma gripe lá na região. Todo mundo pegou.
FELIPE dá risada e entrega a prancheta para o porteiro. Ele olha sobre o ombro do porteiro e vê a BAILARINA sorrindo.
FELIPE
Obrigado.
O porteiro olha para trás para onde Felipe olhava, volta a olhar para Felipe. Faz cara de indiferença e vai para o elevador.
INT. APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
A BAILARINA passa por ele dançando e sorrindo.
Ele dança com ela. Eles CANTAROLAM a melodia do VIOLINO. Ele está com o saquinho do remédio na mão. E ainda alegremente ele abre o saquinho e busca um frasco do remédio.
Ele começa a abrir o frasco e ela faz carinho nele enquanto ele faz isso. Ele, sorridente, toma o comprimido e beija a mão dela com a luva.
Ela volta a dançar distante dele. Ele fica assistindo. Ele pega o violino e volta a tocar a melodia.
Ela dança.
Ele para de tocar.
FELIPE
Sabe. Você me faz tão bem. Hoje. Agora. Este instante.
FELIPE vai se aproximando da Bailarina. Ela começa a dançar mal. Ela quase cai. FELIPE corre e a segura em seus braços.
FELIPE
Pela primeira vez acho que estou respirando. Estou aliviado, a dor na cabeça está passando. Acho que foi sua vinda para cá hoje. Só pode ser.
A Bailarina se contorce.
FELIPE
O que Você tem? (preocupado)
O que está acontecendo? O que você está sentindo?
BAILARINA
(sussurrando com dores) Eu tenho que ir.
A bailarina se levanta num ímpeto e sai correndo em direção a porta do apartamento. Ela ATRAVESSA a porta sem abrir.
Felipe cai sentado. URRA de dor em sua cabeça. Deita-se com as mãos na cabeça.
FADE OUT
INT. ESCRITÓRIO DE FELIPE - DIA
Felipe está com um olhar triste, distante. Um alarme de seu celular toca. Ele olha para o celular, desliga-o.
Ele busca sua bolsa e pega de dentro o frasco do remédio.
Tira um, engole-o com a água.
MARCELO aparece. FELIPE coloca o frasco do remédio em cima da mesa para cumprimentar Marcelo.
MARCELO
Acorda! Que cara é essa? Tá com dor?
FELIPE
Nem, a dor realmente passou. O remédio é bom.
MARCELO
Preocupado com a cirurgia?
FELIPE
Verdade. É depois de amanhã, mas também não é isso.
MARCELO
É mulher?
Felipe desvia o olhar.
MARCELO (CONT.)
É mulher??
Marcelo busca o olhar de Felipe. Depois parece lembrar de algo e desisite.
MARCELO (CONT.)
Não é da bailarina?
Felipe olha com cara de bravo para Marcelo.
MARCELO (CONT.)
Cara! Da Bailarina? Você não falou que ela atravessa parede?
Marcelo RI
FELIPE
Eu não sei. Eu tava grogue de remédio.
(lamentando)
Ela é a coisa mais viva que eu já senti.
MARCELO
Procura ela onde você já a encontrou antes. Só não se esquece que hoje tem baralho. Eu já tou indo para lá. Se for atrás dela, não demora.
FELIPE
Vou sair agora também então.
Felipe desliga rapidamente o micro, pega sua bolsa e SAI.
EXT. PRÓXIMIDADES DO TRABALHO DE FELIPE - FIM DE TARDE/NOITE
FELIPE caminha relaxadamente, de braços abertos, pelas proximidades de seu trabalho. Ele se esforça para tentar esbarrar em pessoas, entrando na linha de caminho deles.
Ele esbarra com várias pessoas de um grupo. O TRANSEUNTE 2 deste grupo o aborda.
TRANSEUNTE Qual é o seu problema?
Dois TRANSEUNTES deste grupo o arremessam para longe. Ele esbarra em uma pessoa de rosa.
Ele sorri.
Conforme ele vai se levantando, percebe que não é a bailarina.
FELIPE sai correndo.
INT. CASA DE MARCELO - NOITE
FELIPE está com MARCELO e os DOIS AMIGOS na mesa, jogando baralho. FELIPE está bastantate desanimado.
AMIGO 1
E daí quando a gente arrombou a porta viu você lá estirado.
AMIGO 2
Parece que ficou dois dias lá desmaido.
FELIPE
(indiferente) Nem percebi.
MARCELO
Primeira coisa que passou pela cabeça foi que você tinha tomado um porre saindo daqui ou algo assim.
AMIGO 1
Pelo menos a gente não teve que te pegar no banheiro abraçado na privada.
AMIGO 1 cutuca AMIGO 2. TODOS RIEM EXCETO FELIPE.
O ALARME DO CELULAR de Felipe TOCA.
Felipe vai até a bolsa e procura pelo frasco de comprimidos. Ele vira tudo e não encontra.
FELIPE
Marcelo, você viu meu remédio?
MARCELO
Aquele que você tava tomando lá no escritório?
FELIPE
Isso.
MARCELO
Não vi não.
Felipe para e pensa.
INSERT: FLASHBACK DO REMÉDIO SENDO DEIXADO NA MESA DE FELIPE E ELE SAINDO RÁPIDO.
Felipe começa a sentir dor na cabeça.
Felipe volta à mesa para jogar, mas seu olhar agora é mais de apreensão do que tristeza.
FELIPE
Me passa uma cerveja, por favor.
EXT. RUAS DA CIDADE - NOITE
FELIPE caminha rápido.
POV DE FELIPE: Ele avista sempre um pedaço de roupa rosa virando as esquinas antes de ele virar, mas quando ele vira não há ninguém na rua.
Ele coloca a mão na cabeça e seu rosto demonstra cada vez mais dor.
INT. ELEVADOR DO PRÉDIO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
FELIPE está desesperadamente aperando o botão de seu andar. Ele encosta a cabeça na parte de trás do elevador. Ele perde o equilíbrio mas se segura.
INT. COZINHA DO APARTAMENTO DE FELIPE - MOMENTOS DEPOIS
FELIPE está procurando em gavetas os frascos do remédio.
Ele encontra vários, vai abrindo um a um e todas estão vazios.
Ele está cambaleando, se apoia numa prateleira, derruba algumas coisas entre elas o case do violino.
Ele cai deitado de modo a ficar olhando o case. Dá um pequeno sorriso.
Ele se vira para o outro lado.
POV de FELIPE: A BAILARINA ESTÁ DEITADA A SEU LADO OLHANDO PARA ELE SORRINDO
Felipe sorri longamente. Seus olhos enchem de lágrima.
Ele se aproxima dela eles seguram a mão um do outro. Começam a fazer carinho um no outro. Se abraçam carinhosamente. Se olham de novo. Se beijam.
INT. APARTAMENTO DE FELIPE - MANHÃ
Felipe está dormindo no chão da cozinha. Seu CELULAR TOCA.
FELIPE
Alo?
MÉDICO (FILTERED)
Felipe, sou eu. Doutor Ricardo. É sobre sua cirurgia de amanhã.
FELIPE
Sim. Fale... Foi adiada?
MÉDICO (FILTERED)
Não, nada disso. São algumas orientações gerais.
A CAMPAINHA TOCA
FELIPE
Hm...
Felipe caminha em direção à porta do apartamento.
MÉDICO (FILTERED)
Traga uma malinha com algumas roupas, roupas leves.
Felipe abre a porta, é o porteiro com o saquinho do remédio. Ele pega a prancheta, assina rapidamente. Agradece com um movimento de cabeça.
FELIPE
Certo.
MÉDICO (FILTERED)
E hoje sem comer nada gorduroso. Sem fazer atividades físicas pesadas e, claro, nada alcoólico.
Felipe fuça o saco e pega um frasco do remédio.
FELIPE
Certo. E como é o esquema amanhã. Que horas?
Felipe pega um comprimido do frasco. E fica olhando para ele. O comprimido é metade branco e metade rosa.
MÉDICO (FILTERED)
Tá na sua guia. 8 da manhã.
FELIPE
Ok então. Nos vemos amanhã.
MÉDICO (FILTERED)
Até amanhã.
Felipe desliga o tel. Ele vai colocar o remédio na boca. Quando ele está a um instante de soltar o remédio ele para e fica pensativo.
Ele distancia o remédio da boca e começa a observá-lo.
INSERT: CLOSE DO REMÉDIO NA PALMA DA MÃO DE FELIPE. Ele pega o remédio com a outra mão, o posiciona como se fosse a bailarina e dá uma pequena girada.
Felipe está com lágrimas nos olhos. Ele coloca o comprimido na mesa mais próxima e sai em direção ao quarto.
Ele pega uma mala e começa a separar roupas.
FELIPE SAI
INT/EXT. FELIPE VIAJANDO - MONTAGEM
Felipe caminha ao longo de muito tempo. Vemos a paisagem ao fundo pela manhã. Ao sol cheio. Entardecendo. E de noite.
INT/EXT. FRENTE DE UM HOTEL - NOITE
Felipe entra em um hotel.
INT. QUARTO DO HOTEL - NOITE
Felipe joga sua mala sobre a cama. Abre e começa a vasculhar dentro dela. Ele pega o saco onde ficam os frascos do remédio e vai para o banheiro.
Ele pega um comprimido de um frasco e o coloca sobre a pia. Ele senta sobre a privada fechada e coloca a cabeça em suas mãos.
Ele olha para o comprimido.
INSERT: Close no comprimido.
A dor de cabeça o tormenta. E ele faz cara de dor.
ÁUDIO: UM SOM AGUDO TIPO O DO VIOLINO INICIALMENTE IRRITANTE VAI SE SUAVIZANDO.
A feição dele de dor vai mudando para alívio acompanhando o áudio.
Ele se levanta calmamente e levanta a tampa da privada. Joga o comprimido que estava separado lá. Abre os outros frascos e despeja lá também.
Ele sai do baneheiro e vai em direção à mala. De dentro tira o case do violino e de dentro dele o próprio violino.
Ele se senta a beira da cama e começa a tocar modificando o áudio que acompanhava a cena.
A câmera vai abrindo e vemos que A BAILARINA se aproxima.
FADE OUT
FIM
(2 Votos)





